domingo, 1 de novembro de 2026

Senão, não é Feira

Daqui poucos dias já temos Feira.

E eu de t-shirt.

É Novembro e eu de t-shirt...

Não me cabe na cabeça vestir casacos e calçar botas tão cedo. Mas a Feira não pede t-shirts. A Feira não pede calor.

Eu não sou de samarras nem de capotes mas, se fosse, contorcia-me toda só de pensar neles em cima do pêlo.

A Feira pede frio para que lhe sirva de aquecimento a água-pé. A Feira pede frio para que se comecem a acender as lareiras.

A Feira pede frio para que o Verão de S. Martinho se note.

A Feira não pede calor, mas também não pede chuva.

Pede frio, só isso.

Um sol que aquece o rosto ao meio-dia, pedindo para abrir o casaco, e um frio que racha até aos ossos mal ele se põe.

Pede um Novembro digno dos Novembros de antigamente, em que vestir collants por baixo das calças era uma necessidade, calçar ainda 2 pares de meias era uma questão de sobrevivência e, ainda assim, doíam os dedos dos pés.

A Feira pede que o bafo da respiração seja bem visível, que o fumo das castanhas esteja tão baixo que chega a parecer nevoeiro e as pontas dos narizes vermelhas sem pinga de álcool.

A Feira pede, mas não sei se o S. Pedro dará.

Vão umas castanhas assadas? Com este calor?? Cruzes! Mas espero ver-lhes o fumo, sentir-lhes o cheiro e, quem sabe, vestir um casaquito mais quente.

Senão... Senão não é Feira.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Palha, para que te quero

Acho que subvalorizamos demasiado a palha.

Mas quem nunca teve que usar palha para esticar um texto? Um discurso? Uma apresentação?

Para fazer render o peixe?

Quem nunca usou palha para, em bom português, encher chouriços?

Quem nunca, que atire a primeira palhinha.

A palha é essencial à vida. É uma ponte, uma almofada, uma escada, um banco. Até alimento, veja-se bem!

A palha devia ter IVA a 6%; é um bem essencial. Na volta até tem, não sei, nunca comprei. Talvez quem a venda nem passe recibo e pouco importa qual seria o IVA.

Pensando bem, se calhar vou dedicar-me ao tráfico de palha. Negócio provavelmente pouco original mas, desde que seja rentável, que se lixe a falta de originalidade.

A palha, a par da água-pé e das castanhas, é um dos pilares da Feira do Cavalo. Quem não a arranja a tempo corre sérios riscos de ver o preço inflacionado (e o transporte dificultado).

Ainda assim, mesmo com os fardos já devidamente arrumados, há sempre alguma coisa que falta. Que nervos!...

É caso para se dizer:

Tens água, tens palha... Não sei porque andas aos coices.

Devem faltar as castanhas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

FNC|FICL|FSM 2026 @Golegã