Daqui poucos dias já temos Feira.
E eu de t-shirt.
É Novembro e eu de t-shirt...
Não me cabe na cabeça vestir casacos e calçar botas tão cedo. Mas a Feira não pede t-shirts. A Feira não pede calor.
Eu não sou de samarras nem de capotes mas, se fosse, contorcia-me toda só de pensar neles em cima do pêlo.
A Feira pede frio para que lhe sirva de aquecimento a água-pé. A Feira pede frio para que se comecem a acender as lareiras.
A Feira pede frio para que o Verão de S. Martinho se note.
A Feira não pede calor, mas também não pede chuva.
Pede frio, só isso.
Um sol que aquece o rosto ao meio-dia, pedindo para abrir o casaco, e um frio que racha até aos ossos mal ele se põe.
Pede um Novembro digno dos Novembros de antigamente, em que vestir collants por baixo das calças era uma necessidade, calçar ainda 2 pares de meias era uma questão de sobrevivência e, ainda assim, doíam os dedos dos pés.
A Feira pede que o bafo da respiração seja bem visível, que o fumo das castanhas esteja tão baixo que chega a parecer nevoeiro e as pontas dos narizes vermelhas sem pinga de álcool.
A Feira pede, mas não sei se o S. Pedro dará.
Vão umas castanhas assadas? Com este calor?? Cruzes! Mas espero ver-lhes o fumo, sentir-lhes o cheiro e, quem sabe, vestir um casaquito mais quente.
Senão... Senão não é Feira.


